'China mudou': Alemanha revela plano para cortar dependência da segunda economia - POR JONAS MG NOTÍCIAS
"A China mudou." Alemanha revela estratégia para reduzir a dependência do número 1 do mundo 2 economia
A Alemanha anunciou na quinta-feira que reduziria sua
dependência da China em “setores críticos”, incluindo medicina, baterias de
lítio usadas em carros elétricos e elementos essenciais para a fabricação de
chips.
O governo publicou sua primeira “Estratégia para a China”,
um documento de 40 páginas que destaca a corda bamba que Berlim deve percorrer
ao administrar sua dependência da segunda maior economia do mundo em meio a
críticas crescentes ao histórico de direitos humanos de Pequim e à atitude em
relação ao direito internacional.
A China é o parceiro comercial mais importante da Alemanha,
com importações e exportações entre os dois países chegando a quase € 300
bilhões (US$ 335 bilhões) em 2022, segundo o governo.
“A China mudou. Como resultado disso e das decisões
políticas da China, precisamos mudar nossa abordagem para a China”, disse o
documento, que o gabinete concordou após meses de atrasos e debates dentro da
coalizão de três vias do chanceler Olaf Scholz.
A China é um parceiro crucial no combate às mudanças
climáticas, pandemias e desenvolvimento sustentável, acrescentou o documento de
estratégia. No entanto, está “perseguindo seus próprios interesses de forma
muito mais assertiva e está tentando de várias maneiras remodelar a ordem
internacional baseada em regras existente”, com consequências para a segurança
global.
O documento enfatizou que a maior economia da Europa deseja
manter os laços comerciais e de investimento com a China, ao mesmo tempo em que
reduz as dependências em setores críticos diversificando suas cadeias de
suprimentos – uma meta conhecida como “redução de riscos”.
Scholz tuitou: “Nosso objetivo não é nos separar [de
Pequim]. Mas queremos reduzir as dependências críticas no futuro.”
O documento afirma que a Alemanha depende demais da China
para tecnologia médica e farmacêutica, incluindo antibióticos, bem como para
tecnologia da informação e produtos necessários para a fabricação de
semicondutores e para vários metais e terras raras necessários para a transição
energética.
“Em áreas-chave, a [União Européia] não deve se tornar
dependente de tecnologias de países [fora da UE] que não compartilham nossos
valores fundamentais”, afirmou o documento.
Reafirmou o compromisso do governo de ajustar as listas de
produtos sujeitos a controles de exportação no contexto de novos
desenvolvimentos tecnológicos, inclusive em segurança cibernética e tecnologia
de vigilância.
O governo também emitirá disposições para que os projetos de
pesquisa e desenvolvimento com a China “nos quais é provável a fuga de
conhecimento” não sejam apoiados por fundos federais ou apenas sob certas
condições, disse o documento.
A China é um mercado importante para várias grandes empresas
alemãs, incluindo Volkswagen (VLKAF) e BMW, e o governo disse que planeja
manter negociações com empresas “particularmente expostas à China” com o
objetivo de “identificar riscos de concentração”.


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